'Causos' completos
17/08/2003
Os ventos farroupilhas vieram me sacudir com algum atraso. De repente, vi que a Editora Sulina tinha realizado uma façanha de dar inveja aos imperiais: publicar uma edição com as 'Obras completas de Simões Lopes Neto'. Eu fui educado pelo Romualdo e tenho em Simões a vertente da melhor literatura brasileira, manancial capaz de irrigar um Guimarães Rosa. Fico mais perplexo ainda por saber que essa idéia, simples e genial, foi do meu amigo Luis Gomes. É assim que se consolida a saga de um editor, contra ventos e ruídos. A Sulina, que já foi dada como extinta, está aí, viva e ousada, mesmo ouvindo, por gentileza, alguns palpites meus. Blásio, Walter e Luís, como quem não quer nada, continuam fazendo chover na província, apesar do silêncio das trombetas. Luis Gomes não só teve a grande idéia de publicar as 'Obras completas de Simões Lopes Neto' como foi arranjar os parceiros adequados para a situação: Paulo Bentancur, que organizou o material, e Elmar Bones, da Já Editores. Esse grupo encontrou na Copesul, graças à extrema sensibilidade desse brilhante mecenas dos tempos pós-modernos que é Luis Fernando Cirne Lima, o apoio indispensável para a realização da aventura. São 1,2 mil páginas de orgulho e de alegria.

Luis Gomes já podia fazer parte da história editorial gaúcha por ter introduzido Michel Houellebecq no Brasil. Ou por ter lançado os cinco volumes de 'O método', de Edgar Morin. Ou pela coragem de bancar o extraordinário 'O bonde', do Prêmio Nobel Claude Simon. Mas tudo isso pode ser considerado pequeno se comparado à enormidade representada pelas 'Obras completas de Simões Lopes Neto'. Sei que não é ético elogiar os amigos. Isso só se faz com os inimigos. Mas, como não sou de gastar pólvora com chimangos, prefiro pagar mico a deixar escapar essa traíra de meu anzol.

Sou louco por franco-atiradores. Essa edição das 'Obras completas de Simões Lopes Neto' reúne, de alguma forma, um grupo de elite do pelotão dos outsiders, inclusive na categoria dos bem-instalados, o que só me faz admirá-los ainda mais. Uma história dessas, contada no galpão, ninguém acreditaria. É boa demais para ser verdade. Nos tempos do Romualdo, daria capa de caderno de cultura da Gazeta do Jarau. Felizmente, saiu na primeira página do Diário de Palomas. Vou repeti-la para os meus netos. Sem tirar nem pôr.

Juremir Machado da Silva para o CORREIO DO POVO / Porto Alegre / RS
(juremir@pucrs.br)
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