1º presidente republicano deixa herança ao RS
18/10/2003
O conceito de Estado politizado que o Rio Grande do Sul tem no restante do país é apenas uma das heranças de Júlio de Castilhos que persiste cem anos após sua morte, ocorrida a 24 de outubro de 1903. Historiadores e estudiosos da vida do primeiro presidente republicano do Estado, hoje cargo de governador, concordam que, apesar de sua filosofia positivista e autoritária ter perdido força desde o Estado Novo, ainda exerce influência na vida política gaúcha.

Para o escritor Décio Freitas, o espírito partidário e o relativo distanciamento do Estado do liberalismo ainda são ecos do pensamento do homem que lançou as bases da modernização do Rio Grande do Sul com mãos de ferro. Autor do livro 'O homem que inventou a ditadura no Brasil', em que descreve Castilhos como o primeiro ditador apoiado por Constituição, Freitas chamou atenção para o fato de que o regime castilhista estabeleceu a identificação entre estados e partidos, como veio a ocorrer posteriormente nos sistemas comunistas.

Na avaliação da historiadora Ana Luiza Reckziegel, da Universidade de Passo Fundo, Castilhos teve o mérito de integrar à sociedade rio-grandense parcelas da população até então discriminadas política e economicamente. Apesar de seu autoritarismo, com as diretrizes de colonização, de incentivo à pequena propriedade, aos produtos diversificados da tradicional pecuária e projeto de educação profissionalizante, entre outros, o líder republicano deixou à história gaúcha como legado características que até os dias atuais diferenciam o Estado do resto do país.

Também a honestidade acima da média brasileira muitas vezes atribuída aos políticos gaúchos tem origem no homem que entrou para a História como o patriarca do Rio Grande do Sul. Ricardo Vélez Rodriguez, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora e pesquisador do castilhismo, lembrou que Castilhos prezava a moralidade pública, especialmente no que se refere à correta aplicação do dinheiro do Estado. Para Castilhos, a política não podia trazer enriquecimento pessoal, mas devia ser tratada como serviço à sociedade.

Diariamente, até a próxima sexta-feira, serão publicados nesta página textos sobre a vida e o legado de Júlio de Castilhos.

(Correio do Povo - Porto Alegre)
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