Livro de Juremir ouve a Legal
02/06/2011
São poucos os cronistas do cotidiano que nos fazem perceber as diferentes nuances do presente e do passado, olhando ainda para o que pode reservar o amanhã. E menos ainda aqueles que, ao se envolverem com a história, nos seduzem por sua narrativa, sem perder o rigor e a credibilidade. Juremir Machado da Silva vence estas barreiras e o demonstra, lançando "Vozes da Legalidade - Política e Imaginário na Era do Rádio"; este é o seu 11 livro pela editora Sulina.

O olhar do jornalista, escritor e historiador divide, com o doutor em Sociologia, o desafio de ouvir e traduzir significados de vozes tão marcantes de uma importante parte da história do Brasil do século XX. Nela, o Rio Grande do Sul teve um papel determinante. É inegável. A Revolução de 1930, comandada por Getúlio Vargas, levou os gaúchos a "amarrarem seus cavalos no obelisco da avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro". Foram mais de duas décadas em que, Getúlio, dentro ou fora do poder, influenciou os destinos dos brasileiros. Entre os herdeiros de seu legado, João Goulart, que se tornou duas vezes vice-presidente do país. Jânio Quadros, que em 1961, renunciava intempestivamente. "É falsa a ideia de que Jango era homem fraco", defende Juremir. "Era forte, de convicções, mas era homem de negociação. Em 1964 foi derrubado pelos seus acertos", resume.

E se, no final de agosto de 1961, há 50 anos, começava em Porto Alegre uma "primavera da liberdade", no ano seguinte, nascia Juremir, lá em Livramento. Enquanto o guri crescia lá no Interior, o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, comandava a resistência ao golpe contra Jango. Requisitando a Rádio Guaíba formou a Rede da Legalidade, distribuiu armas, mobilizou a população e garantiu a volta de Jango da China.

Hoje, o cronista aplaudido, intelectual maduro e escritor respeitado começa "Vozes da Legalidade - Política e Imaginário na Era do Rádio" com a marca do observador do cotidiano. Em palavras repletas de significados, o colunista do Correio do Povo e apresentador da Rádio Guaíba, dispara com a ideia dos "nomes que condicionam destinos". Leonel Itagiba de Moura Brizola que o diga. Deliciosamente dinâmica, a narrativa do livro envolve e cria vínculos importantes com o imaginário do leitor. "O rigor histórico é determinante, e o romance deve contar a ``grande história`` também", enfatiza. E para isso, Juremir entrevistou personagens vivos, ouviu gravações, vasculhou arquivos. "Nunca trabalho sozinho", avisa. E do trabalho de equipe a essência do livro, uma história de nomes, de homens, de coadjuvantes e protagonistas; de vozes da Era do Rádio, submerge aos poucos, exposta nas vozes de Brizola, de Jango, de Carlos Lacerda, do general Machado Lopes; do ministro da Guerra, Odylio Denys. Mas também a voz de Jânio Quadros; as vozes dos remanescentes, jornalistas, radialistas e políticos; a voz das ruas, a voz do Rio Grande, e especialmente da Rádio Guaíba, que se tornou a "cabeça" de uma rede inusitada e vitoriosa. Além do livro, que pode ser adquirido pelos assinantes do CP com valor promocional (pelo 3216-1600), está disponível uma linha do tempo dos 50 anos da Legalidade no site www.correiodopovo.com.br/legalidade. Dia 8, às 18h30min, Juremir autografa a obra no Auditório do Correio do Povo (Caldas Jr., 219).
Link: http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=116&Numero=244&Caderno=5&Noticia=299982

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