Freud e o dedão da Madonna
11/07/2011
Mark Dery é americano. Escreve no New York Times. Tem fixação pelo dedão da Madonna. Saiu um livro dele no Brasil: "Não Devo Pensar em Coisas Ruins - Ensaios sobre o Império Americano, Cultura Digital, Pornografia Pós-humana e o Simbolismo Sexual do Dedão da Madonna". Eu nunca tinha pensado no dedão da Madonna. A bem da verdade, pouco tinha pensado na Madonna. Ela nunca fez o meu tipo. Na minha cama, ela jamais passaria uma noite. A Cláudia não permitiria. Dery garante que a mídia só diz o que as pessoas já sabem. É só o que elas querem saber. Mesmo a novidade tem a cara do dedão do Madonna. É obsceno. Pornografia pura. Analisem a curva indecente que faz o dedão da Madonna. Ou fazia. O dedão da Madonna anda fora dos noticiários. O dedão da vez agora é o da Lady Gaga.

Charles Pépin é francês. Saiu um livro dele no Brasil: "Filósofos no Divã". Platão, Kant e Sartre analisados por Freud. Eu jamais tinha pensado nos problemas sexuais de Platão e de Kant. Os de Sartre todo muito conhece. Ele passou a vida escrevendo sobre eles. Há quem diga que "O Ser e o Nada" é uma metáfora das relações sexuais de Jen-Paul. Kant dispensou imperativamente o amor da sua vida depois de fazer os cálculos e concluir, de modo categórico, que não seriam felizes com o que ele ganhava. A racionalidade acima de tudo. Más línguas sugerem que a vida sexual de Platão acontecia no mundo das ideias. Salvo se o mito ou alegoria da caverna, que tanto fama lhe trouxe, tenha sido concebido durante uma escapadinha filosófica com uns efebos a uma gruta. Os gregos não esperaram a decisão do Supremo para valorizar as relações homoafetivas. Uau!

Dery faz muito sucesso nos Estados Unidos. O livro de Pépin vendeu mais de 300 mil exemplares na França. Não vi resenhas dessas obras nos cadernos culturais de Rio de Janeiro e São Paulo. É que não foram publicados pela Companhia das Letras nem pela Objetiva. Saíram aqui pela Sulina. O bairrismo e o provincianismo de cariocas e paulistas está cada vez mais forte. A prova do bairrismo paulista está em eles acharem que são cosmopolitas. Os cariocas acreditam que são os únicos brasileiros sem sotaque regional. Se alguém quiser entender um pouco mais do afetado sistema cultural da atualidade e ainda se mijar de rir, leia Mark Dery. Se quiser entender certas questões filosóficas e, ao mesmo tempo, divertir-se, leia Pépin. O americano escreveu os ensaios que Arnaldo Jabor adoraria fazer se tivesse competência e bala para tanto.

O francês brincou com a filosofia como deveriam fazer muitos "pensadores" se tivessem ousadia e um sofá disponível. Não é fácil encontrar um divã apropriado. Se eu pudesse, seguia os exemplos de Dery e Pépin aplicando-os ao Brasil. Só me faltam o dedão e os filósofos. Psicanalista sobra. Examinei vários dedões até agora. Nenhum me convenceu. Preciso fazer mais pesquisa de campo. Teria de examinar mais atentamente o dedão do pé esquerdo da Cleo Pires. Foi-me oferecido o dedão do Fábio Júnior. Não é o caso de DNA. É hora da minha terapia.

JUREMIR MACHADO DA SILVA | juremir@correiodopovo.com.br
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