Aquela dívida.

Aquela dívida.

Aquela dívida

 

Devo, não nego, pago quando puder. A proficiência popular em sintetizar a complexidade dos caminhos da vida é surpreendente. E a economia não ficaria de fora deste jeito todo nosso de encarar questões de cifras e compromissos.

O endividamento das famílias no Brasil é latente, quase é possível tocar. Dados da edição de março de 2025 da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), divulgados em abril deste ano pela Fecomércio-RS, indicam que o percentual de famílias gaúchas endividadas atingiu 88,1%. 

Mas os números são mais frios que o auge de nosso inverno, e não mostram que dividas podem ter nomes, sobrenomes, usar barba, bigode, ou ainda ser alta, loira e ter olhos claros, neste caso dever pode ser um prazer? O cobrador tem por natureza um magnetismo, isto é certo, mas a fuga preenche a boca do devedor com um gosto acre. Emocionante, não é?  Transforme em filmes e teríamos pitorescos títulos: A Fuga dos Boletos, O Cobrador, O Resgate Do Crédito Perdido, ou ainda a Lista De Juros. Não sei se gostaria do enredo. 

   O débito é antes de tudo uma confusão, uma desorganização do indivíduo que gasta mais do que pode e esta também pode ser quase anônima, as financeiras não têm rostos, altura, vestimentas, caras e bocas, mas sabem serem escutadas. Quem nunca recebeu alguma ligação e sem perceber atendeu e constatou com desgosto, que era uma voz aguda disparando gerundismos e pedindo dados.

Antes de tudo este compromisso negado mesmo que temporariamente, é um impedimento. Não comprar mais? Sim, porem e se a celeuma for com um conhecido ou amigo que mora na Cavalhada? Na Agronomia? É uma sentença de não poder ir no bairro por algum tempo. Para assim evitar constrangimentos e uma atuação digna de Oscar, Fernanda Torres que se cuide, há muitos candidatos por ai.

Brincar é sempre um ato de leveza com a questão, já que falar de dinheiro é tão espinhoso como uma amizade rompida em nome de uma cifra, que muitas vezes não vale o esforço e o sono perdido.

 

 

 

Alceu Amaral.


Autor: Alceu Amaral


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