Diga não às Bets.

Diga não às Bets.

Bets 

Os olhares tensos combinam com a elegância e o requinte de um ambiente enfumaçado, mas permeado pela égide da sorte ou do azar, como protagonista, manobrando dados ou cartas, James Bond.

Longe do glamour ficcional do cinema, em terras tupiniquins, entra em cena a treva de um cenário tétrico e lamentável, o abuso das Bets.

Alertado pela salutar campanha feita pelo Jornal A Hora do Sul de Pelotas, que estampa em sua capa com letras provocativas, a reflexão em forma de manchete “Quanto mais você aposta, mais você afunda”, o informativo regionaliza a discussão que não é nova, porém tomou tons perturbadores dentro do ambiente esportivo junto à Copa do Mundo. O tema volta à tona pelo abuso e pelas consequências que vêm produzindo em nossa sociedade, que já padece de tantas outras mazelas que fazem aniversário sem solução.

Várias entidades, órgãos públicos, ONGs, universidades tecem discursos embasados por autoridades, pesquisas e opiniões fundamentadas pela lógica. Jogos podem causar uma chaga de solução complexa em um grupo e até em um país inteiro.

Convocado para pensarmos sobre o tema, entram em campo as transmissões da atual Copa do Mundo, onde a transmissão por internet e as propagandas estão se tornando os artilheiros e os apostadores, os derrotados; em jogo, o futuro das transmissões e há quem diga o futuro dos esportes em geral, já que escândalos pairam sobre esta aliança entre esportes profissionais e as redes de apostas. 

A Lei Federal nº 14.790/2023 regulamenta e tributa o setor, mas não tem poder de evitar o endividamento e a promiscuidade que se avultam nesta relação. Leis são, antes de tudo, úteis e com caráter póstumo, onde, por meio do pensamento coletivo e vigia social, o efeito pedagógico sobre o mal que se estabelece. Porém, dúvidas sobre a blindagem do ambiente digital são plausíveis, já que a internet e seus derivados muitas vezes são um território veloz e muito à frente da afrontosa lentidão de nossa legislação.

Jogos de azar tradicionais como cassinos, bingos e o jogo do bicho são considerados contravenções penais e permanecem proibidos. No entanto, as apostas esportivas e jogos de cassino online são regulamentados, existindo centenas de plataformas autorizadas pelo Ministério da Fazenda, o que nutre uma contradição clara: se os primeiros são proibidos pelos malefícios, o segundo também não causa o mesmo efeito?

Há muitas outras dúvidas que entram em campo. Quem realmente lucra com esta modalidade de jogo? Esperaremos casos de suicídio em nome do endividamento para tomarmos uma atitude? A fiscalização governamental é eficiente? Há ou não manipulação nos resultados?

Muitas são as dúvidas que necessitam de plateia e a torcida é para que o caminho fácil e sedutor que alimenta uma ganância disfarçada de novidade tecnológica não fira as finanças do brasileiro, mas também não alcance outras áreas em que a sanidade coletiva esteja na marca do pênalti.

 


Autor: Alceu Amaral


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