Retrospectiva 2025
Em final de ano, é impossível ao brasileiro médio não ser envolvido por convenções sociais de todos os tipos - para exemplificar - o amigo secreto, dividido em muitas modalidades, o da firma, da escola e o mais letal, o da família. Há também a dúvida humana ocidental. O que fazer com o restante da ceia? Dúvida, que se respondida, pode mudar a senda humana nesta terra. Algumas nações africanas não pensam assim.
Onde iremos passar o réveillon? Qualquer lugar longe daquele fatídico familiar que sua cara é o prenúncio de um péssimo ano vindouro, ou ainda a impermeável e múltipla camada de pessoas instaladas nas filas dos mercados da vida. Pior, um musical que desafia as ampulhetas do tempo, onde o já robótico Roberto Carlos é a estrela, dizem que ele é um clone, li esta teoria no grupo do Zap.
Mas devo confessar a boca pequena, digo a escrita, só eu e você devemos saber, o que mais me marca são as retrospectivas. Que delícia! E as televisivas me são ainda mais encantadoras, como uma pintura renascentista.
A encarnação mais viva nos corredores de minha memória é o sorriso pré-moldado de Sergio Chapelin esbanjando carisma e habilidade na troca de câmeras. Algumas edições abdico da ironia e sem genuflexo, confesso que queria ver, como por exemplo, a de 2001 onde as torres gêmeas gravitaram na opinião pública, a de 2016 onde a presitenta Dilma foi injustiçada. 1994, que ano, que esquadra da seleção brasileira; o último adeus a Nelson Mandela, perto do Natal ainda. E tantas outras datas e momentos que marcam o imaginário coletivo de uma sociedade.
E este ano de 2025? Me desafio a escolher uma única palavra que defina este ano da graça de nosso Senhor Jesus Cristo. Complexo, mas vou tentar.
Bizarro. Para tanto, lembrarei o Morango Do Amor e sua reação tropicalmente capitalista embebida em uma roupagem cafona; o vermelho do morango inflamou os preços da fruta e as rodas de discussões. Ainda na ceara das bizarrices, e o pastor mirim teria bebido metanol? A revolta das Havaianas, poderia ser um nome de fato histórico, mas melhor esquecer.
Temos também a indecisão de Donald Trump, não sabia se casava ou comprava uma bicicleta, legendários e sua fragilidade travestida, Guiana Brasileira, o fofo Bobbie Goods vender mais que livros de gabarito, mas no topo do pódio está a polêmica sobre as bebês reborn, merece, não é mesmo?
Orgulho: O Oscar de Ainda Estou Aqui, julgamentos e prisões. Ops! Esqueci de comprar os fogos de artifício. Me ajudem, estou com dificuldades aqui! Vamos passar.
Adeus; tivemos grandes perdas de personalidades que pavimentaram a cultura e nossa sociedade é verdade. Os Franciscos, o Papa e o Cuoco, Sebastião Salgado, a feliz montanhista Juliana Marins, a eterna miss universo Ieda Maria Vargas, uma das mais belas do século Brigitte Bardot e para mim a mais doida, Ozzy Osbourne.
Viu! Sou incapaz de condensar um ano inteiro em uma única palavra, já que a vida pulsa e nossas reações a este movimento de translação da Terra proporcionam tantas trend’s.
O fato é que, revisitar o passado é sim algo salutar e organiza as reações que temos e devemos ter perante o que move o mundo, visitar o passado para não ser encarcerado no presente e libertar-se no futuro, deveria ser uma tônica amplamente difundida a cada final de ciclo, cativar adjetivos positivos para encarar as dificuldades vindouras um alvo a ser alcançado.
Do alto de meu ano extremamente positivo, já que fiz uma vitoriosa turnê de lançamento de meu livro Albergue dos Ventos, desejo a você, leitor e parceiro da Editora Sulina um 2026 sem bizarrices, com muitos livros e realizações positivas.
Escrita ao som de Chopin.
Autor: Alceu Amaral

