Editora Sulina
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O final também pode ser o começo

15/04/2008

Para Morin, existe, sim, esperança para a humanidade. A descoberta das células-tronco é um exemplo (Livia Meimes)
Do alto dos seus 87 anos, Edgar Morin brindou Porto Alegre com uma lúcida palestra na abertura da segunda edição do Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem. Ontem, o que se viu foi a Ufrgs lotada e marcada, sobretudo, pela emoção de ver de perto um dos últimos grandes intelectuais franceses do século XX.
Traçando um panorama dos acontecimentos da história da humanidade, ele citou vários fenômenos, como a globalização e os conflitos étnicos e religiosos. 'O paradoxo é que o mundo está se unificando, mas está se fragmentando também', disse ele. Morin lembrou que o mundo viveu com a idéia de que o progresso era uma lei histórica, com 'a idéia de que o amanhã será melhor do que hoje'. A partir dos anos 70, 80 e 90, complementa, parece que o progresso não é tão certo assim, já que a própria tecnologia produz as suas armas de destruição de massa e as guerras de religião, que pareciam ser coisa do passado, voltam à nossa realidade. 'A perda do futuro é muito grave. Quando perdemos a esperança, fica o apego ao passado.' Segundo o filósofo, é a partir dos anos 90 que a crise da sociedade ocidental vai se acentuar. Começamos a delinear a tragédia dessa época, o que ele chama de perda do futuro da humanidade. 'Estamos em crise, e essa crise pode provocar desintegrações ou regressões, mas pode também trazer novas soluções. É como uma larva que se transforma em borboleta. A metamorfose pode ser muito positiva, principalmente em se tratando da humanidade', afirmou o sociólogo.

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