Editora Sulina
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Ano da França no Brasil mostra renovação da cena literária francesa

12/01/2009

(Bolívar Torres, JB Online)


RIO - Uma nova e multifacetada literatura francesa vai ser apresentada ao público brasileiro a partir de abril, quando começa oficialmente o Ano da França no Brasil. Durante o evento, que até o final de 2009 vai trazer manifestações de todas as áreas culturais para 15 cidades brasileiras, o governo francês pretende revelar aspectos menos conhecidos das letras do país. A estratégia está centrada em três pilares: caravanas em eventos, visita de autores e ajuda às editoras para publicações.

– Queremos mostrar um outro lado da literatura francesa e rejuvenescer a imagem do país – explica Jérémie Desjardins, responsável pelas mediatecas da embaixada da França no Brasil, e que faz a ponte entre os eventos literários e as editoras e escritores franceses. – Não queremos nos prender apenas aos autores clássicos que o Brasil já conhece. É a hora de apresentar novos autores, além de temáticas menos conhecidas.

Caravanas mobilizam eventos

Nomes famosos ainda não garantiram presença até o momento. Por enquanto, o escritor mais familiar do público é Stéphane Audeguy, que já esteve na Bienal do Livro de São Paulo no ano passado para apresentar sua obra Filho único.

Uma coletânea intitulada Os novos rostos da narrativa francesa, da editora gaúcha Sulina, com 20 jovens autores inéditos no Brasil, será lançada, em setembro, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Com caráter promocional, o livro será distribuído gratuitamente em editoras e universidades.

– Ainda não havia um projeto voltado para a ficção francesa, então veio a idéia de lançar esse catálogo de novos autores – explica Luis Gomes, editor da Sulina. – Queremos contemplar a nova geração da narrativa francesa. Porque se a ideia é mostrar a cultura francesa aos brasileiros, esse é um aspecto muito marcante de lá: eles editam muitos autores novos por ano.

Três caravanas devem mobilizar os principais eventos literários do país durante o ano. A primeira delas, em julho, aproveitará a Feira Literária de Paraty para focar a jovem literatura francesa, com destaque para convergência entre a escrita e as outras artes, como cinema (o ator e produtor Bernard Giraudeau e o cineasta Atiq Rahimi), artes plásticas (a artista plástica Sophie Calle e a crítica de arte Catherine Millet) e teatro (o dramaturgo Valère Novarina). Na Flip 2009, o país não será o tema oficial do evento, mas contará com diversas atrações paralelas.

Em setembro, entra em cena a chamada “França multicultural”, reflexo da produção influenciada por culturas estrangeiras, principalmente africanas. O premiado autor congolês Alain Mabanckou, vencedor do Prix Renaudot 2006 pelo romance Mémoires de porc-épic, e o diplomata Jean-Christophe Rufin, membro da Academia Francesa e embaixador da França no Senegal, já confirmaram suas presenças.

Em novembro, o país será homenageado na Feira do Livro de Porto Alegre, e convidado de honra de dois eventos literários importantes: o Forum das Letras de Ouro Preto e a Bienal do livro de Recife. Nesse período, desembarcarão os escritores Jean-Luc Nancy, Jean-Pierre faye e Mona Ozouf, entre outros.

– Um dos nossos principais projetos é apostar na divulgação de livros e autores de ciências humanas – destaca Desjardins.

O governo francês distribuiu 150 mil euros entre editoras brasileiras (Record, Objetiva, Companhia das Letras, Jorge Zahar, entre outras) para a publicação de autores franceses de ciências humanas. Outros 30 mil euros devem ser destinados à projetos de ficção.

As manifestações literárias do Ano da França no Brasil, porém, não se limitarão a eventos e publicações. Até o fim de 2009, serão digitalizados mil documentos raros que registram a influência da cultura francesa na brasileira. São obras pesquisadas nos arquivos das bibliotecas nacionais do Rio e Paris, e que remontam do século 16 até o século 19.

Há, por exemplo, um documento de 1711, que mostra detalhadamente, através de um mapa, a invasão do Rio de Janeiro pelo corsário francês René Duguay-Trouin.

– Há registros interessantíssimos e quase desconhecidos – explica a bibliotecária Angela Bettencourt, funcionária da Biblioteca Nacional e coordenadora técnica do projeto.


19:17 - 12/01/2009

Link: http://jbonline.terra.com.br/nextra/2009/01/12/e120119207.asp