Editora Sulina
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    Sua sacola está vazia.

Pierre e Gilles

13/08/2003

Muitas vezes, por desconhecimento ou má-fé, critica-se a universidade por estar separada da sociedade. O melhor do universo acadêmico está justamente na possibilidade de atender a expectativas imediatas, por exemplo, do famoso mercado, em algumas áreas, e de entregar-se, por outro lado, à pesquisa fundamental (sem obrigação de resultado a curto prazo) e ao trabalho lento e essencial de reflexão. A universidade é uma reserva da poesia, do debate, da análise minuciosa e também do conhecimento pelo conhecimento. A grande universidade é aquela que ousa não se limitar a copiar o mercado e atreve-se a ensinar também o que o mercado despreza por não se converter em dinheiro, mas em valores.

Ao longo dos anos, na Famecos/PUC-RS, temos fomentado isso através da organização de uma série de eventos. Neste ano, nos dias 25 e 26 de agosto, o VII Seminário Internacional da Comunicação trará oito convidados para debater um tema crucial: 'Da aldeia global ao ciberespaço: as tecnologias do imaginário como extensões do homem'. O que a técnica faz de nós e o que fazemos da técnica? Quem controla quem? Somos criadores ou criaturas? Virão, da França, Pierre Lévy, o 'papa' da Internet, e Gilles Lipovestky, o maior especialista mundial da relação entre moda e suas tecnologias de difusão; do Canadá, Liss Jeffrey e Gañtan Tremblay; dos Estados Unidos, James Chesebro e o italiano Federico Casalegno, pesquisador do célebre MIT; do Brasil, André Lemos, autor de 'A Cibercultura', e Lucia Santaella, grande semioticista da PUC-SP. O Seminário Internacional da Comunicação já trouxe a Porto Alegre, entre outros, Edgar Morin, Jean Baudrillard, Michel Maffesoli, Régis Debray, Elihu Katz, Dominique Wolton, Armand e Michelle Mattelart e Dominique Fernandez. Procura-se cruzar culturas. Há sempre um norte-americano. Já vieram espanhóis, chilenos e brasileiros de todas as regiões. Destaquei os franceses por 'deformação' pessoal. As inscrições estão abertas.

Afinal, a Internet mudou o planeta ou isso é só publicidade excessiva? Quem tem razão, os 'tecnorrosas' ou os 'tecnossauros'? Matrix é uma obra-prima de uma nova era tecnológica ou mais um engodo da velha indústria cultural? Será mais ou menos esse o delicioso papo-cabeça, com mais de 150 expositores em grupos de trabalho. Mais empolgante do que isso, só o Inter!

Juremir Machado da Silva para o CORREIO DO POVO / Porto Alegre / RS
(juremir@pucrs.br)

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