Não é só mania de pescador
24/09/2006
Algumas profissões rendem ótimas histórias. Basta ter talento para saber contá-las em blogs ou livros

POR SHAONNY TAKAIAMA (O Estado de São Paulo)

Taxistas, comissárias de bordo, garçons e donos de bares. Quem trabalha em profissões que lidam com o público sempre tem boas histórias para contar. Muitas ficam só entre amigos, mas outras acabam abastecendo blogs e livros.

Este é o caso do taxista Mauro Castro, de Porto Alegre. Há três anos, ele posta no blog Taxitramas seus mais de 170 causos. Agora, eles irão para as páginas de um livro. Com a crescente popularidade, Mauro só tem medo de uma coisa. 'Daqui a pouco ninguém vai falar mais nada dentro do meu táxi.'

Uma das histórias do livro Taxitramas - Diário de Um Taxista conta o episódio de Marmita, colega de Mauro e assim apelidado por só almoçar no táxi. Quem lhe prepara a comida é a cozinheira de um bar próximo ao ponto. Ela e Marmita têm um caso há anos. Um dia, a mulher dele descobre a traição e vai ao bar tomar satisfações. 'Entre panelas, macarronadas e palavrões que voavam', Marmita apartou a briga das duas. Mas a cozinheira prometeu vingança. Após uma semana, ele voltou ao ponto, e, à hora do almoço, pediu a um colega que buscasse sua quentinha. No táxi, encontrou um papel no arroz e abriu o bilhete, que dizia: 'Vinguei-me, coloquei veneno na sua comida.' Marmita saiu correndo em direção à farmácia, enquanto os colegas morriam de rir da situação. Foram eles que colocaram o bilhete na quentinha do taxista.

Profissão que também rende boas histórias é a das comissárias de bordo. A comissária Paula de Paula também começou postando os causos no blog Diário de Uma Comissária de Bordo e, agora, eles estão num livro homônimo, pensado para ser lido durante um vôo. 'A intenção era que ele fosse uma leitura de bordo para o passageiro relaxar e perder o medo de voar', explica a autora. Uma de suas histórias preferidas relata o dia em que Sidney Magal, seu ídolo da infância, voou no mesmo vôo em que ela. Emocionada, Paula ficou batendo papo com o cantor, e isso despertou a criatividade do comandante, que resolveu brincar com a situação depois de transmitir as informações de praxe: 'Senhores passageiros, caso necessitem de alguma coisa, é só chamar as nossas comissárias fulana, sicrana e Sandra Rosa Madalena.' Gargalhada geral.

Garçons e donos de bares também colecionam histórias curiosas. Em Curitiba, reduto de bares tradicionais, as jornalistas Simone Mattos e Marcia Luz saíram à cata desses causos. O resultado está no livro Chama o Garçom - Botecos de Curitiba e as Histórias que não vêm na conta. Pedro Spak, dono do Armazém Santa Ana contou às duas uma 'história quase surreal', como diz Simone. O fato se passou em 1955.

Na época, o bar era ponto de parada de caixeiros viajantes. Um deles estacionou sua carroça em frente ao bar e se fartou de comer e beber, sem se importar com o cavalo. Os donos do estabelecimento insistiam para que ele levasse água e capim ao animal, mas ele não estava nem aí.

Horas depois, o viajante tentou partir com o cavalo, mas ele não arredava pé. Furioso, entrou novamente no bar para tomar uma caneca de vinho. O cavalo olhou para o dono ingrato e saiu em disparada pela estrada, derrubando as mercadorias. 'Foi a vingança do cavalo, uma história clássica do Santa Ana', diverte-se Simone, ao lembrar deste caso 'fantástico'.

Os blogs 'Taxitramas' e 'Diário de Uma Comissária de Bordo' podem ser acessados nos endereços:www.taxitramas.blogger.com.br e

www.comissariadebordo.blogspot.com
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